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O Profeta Diário, Rita Skeeter e O Pasquim: a importância da imprensa no mundo de Harry Potter

Júlia Muniz


Alerta: O texto a seguir contém spoilers.


E, por favor, leia-o ao som da trilha sonora dos filmes.


Não é novidade para os fãs da saga Harry Potter que O Profeta Diário (The Daily Prophet) tem um papel de destaque no enredo. Publicações que variam entre Profeta Vespertino e Profeta Dominical, entregues pelas queridas corujas - ou não, caso a coruja se chame Errol - com colunas sobre magizoologia e quadribol, ou o lançamento de uma lista de best-sellers e fotos que se mexem. Como não notar? Como não gostar?

Algumas cenas dos filmes, inclusive, são flashes das páginas do aclamado jornal do “Mundo Bruxo”. Cenas icônicas como quando Harry e Rony são vistos no carro voador por trouxas; quando Harry descobre sobre a fuga de Sirius Black de Azkaban; quando Dumbledore e Harry se envolvem no escândalo a respeito do retorno de Voldemort... Esses e outros eventos estampam capas d’O Profeta Diário. Mas, como nem tudo são flores, a principal fonte de notícias para os bruxos britânicos era diretamente ligada ao Ministério da Magia, e conhecido por uma certa – e exagerada – parcialidade nas informações fornecidas.

(Capa d’O Profeta Diário, noticiando a fuga de Sirius Black)


A reputação duvidosa do jornal é muito bem traduzida na figura de Rita Skeeter, repórter famosa por seu sensacionalismo, que se reflete nos textos da cobertura do Torneio Tribruxo, campeonato entre as três maiores escolas de magia da Europa, e da biografia sobre Dumbledore, por exemplo. Skeeter é um animago (ela é capaz de se transformar em um besouro), mas não tem registro no Ministério, como a maioria dos outros animagos do “Mundo Bruxo” e, por causa deste segredo, a repórter foi capaz de entreouvir conversas e ter acesso a informações privadas durante muito tempo – até ser desmascarada por ninguém menos que Hermione Granger. Péssimo exemplo de ética jornalística, não acham?

(A atriz Miranda Richardson como Rita Skeeter em Harry Potter e o Cálice de Fogo)


Além d’O Profeta Diário, existia uma outra publicação famosa: O Pasquim (The Quibbler), um tabloide (publicação com formato correspondente a meia folha de jornal) que representava a opinião alternativa no “Mundo Bruxo”, produzido por Xenofílio Lovegood. Tanto o tabloide quanto o responsável por ele eram mal vistos pelos conservadores da comunidade bruxa e sofreram graves ameaças e ataques por conta de posicionamentos a favor de Harry e contra o novo ministro em Harry Potter e as Relíquias da Morte.

(Capa de uma edição d’O Pasquim)


Tanto O Profeta Diário quanto O Pasquim foram essenciais para a construção de um mundo crível, ainda que fantasioso, com o qual os leitores da saga pudessem se identificar e se encantar. A imprensa tem uma função de grande importância, que é observada em muitos momentos do enredo. Além disso, a parcialidade da mídia, a falta de ética jornalística e a censura de informações também são observadas, tratando de questões sociais que permeiam nossas vidas, o que cria proximidade com o nosso mundo - chamado pela J.K. de mundo dos trouxas (muggles). Mas não vamos perder a esperança de receber a carta de Hogwarts, comprar jornais com fotos que se mexem e fazer parte desse universo mágico, certo?

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