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Como os jornalistas se portavam durante a ditadura?

Por Gabrielle Teodoro


A imparcialidade jornalística é um dos assuntos que mais geram debates. Há quem diga que o jornalista deve sim, ser imparcial e não favorecer nenhum dos lados, porém há controvérsias de que muitos profissionais agem de forma parcial e escolhem a quem favorecer. Numa época em que o regime da ditadura militar era predominante no território nacional, como os jornalistas se portavam? 



O filme Ainda estou aqui conta a vida da família Paiva, uma história real que aconteceu no Brasil dos anos 70. Nele, Eunice Paiva, esposa do ex-deputado Rubens Paiva e mãe de cinco filhos, tem sua trajetória como uma vítima da ditadura militar instaurada em 1964. Durante o crescimento do regime e após o “desaparecimento” de Rubens, é ressaltada a diferença entre as notícias brasileiras e as estrangeiras. Em Londres tudo que acontecia no Brasil estava sendo noticiado, enquanto os jornais brasileiros, não noticiavam a realidade.  

Uma das cenas mais virais do filme traz essa perspectiva. Nela, Eunice e seus filhos posam para uma foto. O repórter pede para eles não sorrirem, e assim surge a icônica cena:

“Sorriam! Nós vamos sorrir.”

Em sequência, durante a entrevista com o repórter, Eunice demonstra sua insatisfação:

“É inacreditável que o sistema aja dessa maneira, cercado de notícias falsas."

Ela guardava cada matéria, todas diziam a mesma coisa e nenhuma trazia a verdade.

Naquele tempo, as notícias eram controladas por uma censura prévia, feita por telefonemas ou visitas constantes que impediam as notícias completas de serem publicadas. Entretanto, quanto mais se era censurada, mais o governo realizava investimentos em propagandas políticas, vendendo um “Brasil Ideal” e omitindo a parte da violação dos direitos humanos. Aos poucos foram se achando meios para burlar esta repressão, por meio da imprensa alternativa e de jornais nanicos. Eles faziam o uso de charges de humor e metáforas para criticar o regime. Os jornalistas participantes sofriam perseguições, correndo risco de serem presos e torturados. 

Em uma época em que a liberdade era limitada, os comunicadores que compartilhavam críticas disfarçadas e os redatores que utilizavam o espaço das notícias censuradas para repassar receitas culinárias e poesias numa tentativa de levar informações verídicas agiam com uma parcialidade que favorecia o povo. 

Com o passar dos anos, é mostrada Eunice em uma nova entrevista, essa em específico, feita logo após a emissão da certidão de óbito do seu marido. Nela, a sua história possui mais firmeza ao ser repassada, livre da repressão e com a mídia numa época em que o jornalista possui liberdade. A diferença traz uma nova perspectiva sobre como o sistema está implícito na parcialidade. 

O filme nos mostra que a priorização sobre quem favorecer sempre foi algo a se debater. Quando Eunice Paiva, junto a população, possui a sua história noticiada, o Brasil tem um pedaço de sua história trazido por jornalistas. 



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