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Representatividade LGBTQIA+ no jornalismo: entrevista com Cae Vasconcelos

Ashley Menezes


O jornalista Cae Vasconcelos foi o entrevistado do 5º episódio da 4ª temporada do ECOnversa, projeto idealizado pelos alunos da UFRJ. A, entrevista foi conduzida pelos alunos de jornalismo Júlia Araujo e Jean Costa, que abordaram o tema “Representatividade LGBTQIA+ no jornalismo”.



(foto: design Econversa)


Cae Vasconcelos é um homem trans, formado em jornalismo pela Fiam-Faam, em São Paulo. Por 3 anos e 7 meses, foi repórter da Ponte Jornalismo, onde fazia reportagens sobre direitos humanos, segurança pública e a comunidade LGBTQIA+. Depois trabalhou como analista de imprensa da editora Companhia das Letras, onde ficou por um ano, e, recentemente, iniciou sua carreira como redator na ESPN. Lançou em janeiro de 2022 seu primeiro livro, “Transresistência”, a partir de seu trabalho de conclusão do curso.


Na entrevista, Cae disse que nunca havia se imaginado em uma universidade por parecer longe da realidade em que ele vivia, e por isso demorou tanto a entrar em uma faculdade. Contou que sempre foi fã de cultura. Seu interesse pelo jornalismo surgiu a partir da vontade de lutar contra a mídia hegemônica, fazendo um jornalismo diferente e mais inclusivo. Conseguiu uma bolsa de estudos e, após quatro anos, concluiu a universidade.


Cae contou que sua inserção no mercado de trabalho foi bem difícil, pois inicialmente não conseguia vagas de estágio. As primeiras oportunidades surgiram na área de redação publicitária, e não para reportagem, como ele queria. Disse que sofreu LGBTfobia em um de seus estágios e, em outro, foi demitido por um chefe porque chegou atrasado. Cae morava longe do trabalho e dependia do funcionamento adequado do transporte público (o que não ocorria sempre).


O jornalista disse que percebeu que queria trabalhar com TV após participar do programa Roda Viva, sendo o primeiro jornalista trans da história a participar da banca do programa para entrevistar a vereadora travesti Erika Hilton (partido-UF). Cae considera que esse foi o ponto máximo de sua carreira e contou que se sentiu realizado por poder participar de um programa tradicional como o Roda Viva falando de gênero e pauta LGBT.


Cae passou pelo marketing da MOSS em 2021 pelo time de imprensa da Companhia das Letras. Em janeiro de 2022, se tornou a primeira pessoa trans da redação da ESPN, para cobrir esportes. Questionado sobre qual a maior dificuldade em mudar de área e realizar serviços tão distintos, ele conta que na verdade sua maior dificuldade foi sair da Ponte Jornalismo, empresa que lhe deu a primeira oportunidade e que o inseriu no mundo jornalístico. Decidiu sair da Ponte para encarar novos desafios, mas continuou realizando trabalhos esporádicos para a empresa. Entrou na MOSS por ser a opção mais viável naquele momento, onde permaneceu por quatro meses. Cae conta que jamais pensou em fazer assessoria de imprensa pois não concordava com diversos posicionamentos de assessores que ele conhecia, mas como era apaixonado por livros, resolveu entrar no time da Companhia das Letras. Por último, ele conta que sempre foi apaixonado por esportes, e a oportunidade de trabalhar na ESPN foi algo que não poderia deixar passar.



Cae também falou sobre a cobrança que faz a amigos jornalistas para que haja mais reportagens sobre visibilidade trans e para que o jornalismo seja mais inclusivo.


Quer saber mais? Assista essa entrevista na íntegra: https://www.instagram.com/tv/CZSfXXlIcqs/?utm_medium=copy_link


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