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Os "Novos" sentimentos do jornalismo imersivo

Atualizado: 22 de out. de 2021

Adriano Assumpção


Os meios de comunicação sempre se modificam com o decorrer das épocas e das tecnologias disponíveis. Houve tempos em que os fatos eram transmitidos somente por conversas, o jornal impresso já foi o meio mais utilizado, transmissões de rádio eram fenômenos, e até pouco tempo a televisão dominava o mercado das notícias. Entretanto, em um mundo onde a tecnologia avança proporcionalmente à falta de participação social dos seus usuários, novas formas de se passar informação são necessárias para recriar sentimentos de empatia dos espectadores. Mas como isso seria possível?

Não existe jeito maior de se conectar à uma situação do que vivê-la na pele. Por melhor que seja o jornalista, por melhor que seja seu texto ou sua capacidade de contar histórias, a sensação de vivenciar um acontecimento pelo olhar ou pela proximidade dos fatos, sempre será superior a isso.

Desde pequenos, estudamos sobre os horrores da segunda guerra e vemos o sofrimento do povo judeu, tanto que até filmes foram feitos sobre esse assunto, O menino do Pijama Listrado e Bastardos Inglórios são só alguns dos exemplos de obras que, até de certa forma, aproximam o espectador dos acontecimentos, mas ainda assim, algo está faltando, algo que seria impossível sem as novas tecnologias: a Interação!


(Aaron Elster e seu holograma que responde perguntas sobre suas histórias)


A foto acima é só um dos grandes exemplos acerca do Jornalismo Imersivo. Nesse caso, o museu de Illinois nos Estados Unidos se utiliza de hologramas de sobreviventes do holocausto para realizar um bate-papo genuíno entre uma pessoa que de fato viveu tais acontecimentos e qualquer um que tenha o interesse de entender e se aprofundar na história. Através da tecnologia e programação, a tecnologia permite que histórias como a de Aaron Elster, falecido em 2018, nunca desapareçam e sejam contadas da forma mais pessoal possível (no caso, por ele mesmo!!), para mais pessoas e por tempo, quem sabe, infinito.


É literalmente uma entrevista ao vivo com uma vítima dos horrores do nazismo. A plateia se vê livre para perguntar sobre qualquer coisa relacionada aos acontecimentos e o holograma responde prontamente e de forma super natural e única, como se realmente estivesse alguém ali, sentado, conversando com todos e, certamente, emocionando os ouvintes após essa experiência extremamente viva.


(Sim eu sei, pode parecer ficção..., mas não é!!)


Agora em outra esfera, hoje já é conhecido, sobretudo no mundo dos games, os capacetes ou óculos de realidade virtual, os quais são utilizados para criar um universo ao nosso redor sem sair da nossa sala de estar, e que nos fazem sentir como se estivéssemos no local da história. Sabendo disso, um dos grandes projetos notabilizados a utilizar tal tecnologia em conjunto com o jornalismo foi o “Project Syria” (Projeto Síria), que nos aproxima da triste realidade vivida pelo povo sírio durante a guerra que já assola seu país por 10 anos..., mas que muitas vezes fingimos não existir.

(Crianças abandonadas no campo de refugiados retratadas no “Project Syria”)

Lançado em 2013, o título que é distribuído gratuitamente pela Steam, maior plataforma de compra e venda de jogos online para computadores, começa mostrando um dia normal em uma cidade Síria, com pessoas caminhando, conversando e até com uma menina cantando de fundo, até que de repente, a vida de todos é interrompida por uma bomba que cai sobre a população, substituindo a calmaria pelo puro caos. Tudo o que se vê agora são crianças correndo procurando seus pais, homens e mulheres caídos no chão sofrendo de dor

com os estilhaços e fumaça aos ares devido à grande explosão.


Logo após, somos postos em meio a um campo de refugiados sírio, onde somos sufocados pelo alto número de pessoas e barracas, e surpreendido pela situação vivida no local. O número de órfãos é gigantesco, as vestimentas são sujas e desgastadas, e a comida? Quase não existe, tudo é racionado.

(Imagens fortes vivenciadas pelos usuários da tecnologia)


Note que a todo momento evito chamar tal tecnologia de “jogo”, pois quem dera que metade dos acontecimentos retratados fossem puramente invenção. Poderia ficar dias descrevendo linha por linha cada segundo da experiência, mas nada seria maior do que experimentar por conta própria, e nesse sentido, o jornalismo imersivo se mostra uma ferramenta com um potencial enorme para recuperar a empatia que parecemos ter perdido por conta da normalização gradual de tamanhas catástrofes.

Esses são somente dois exemplos de como a tecnologia consegue aproximar os ouvintes/ espectadores dos fatos, mas existem muitos espalhados por aí!! Do cotidiano vivido pelos alemães na época do muro de Berlim até problemas ambientais como queimadas de florestas e derretimento de icebergs, várias são as realidades e histórias que são contadas de forma muito mais visceral por conta da modernidade que possuímos hoje, e certamente o futuro nos guarda um grau de interatividade muito maior entre a informação e aquele que se informa.



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