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O Pasquim: a luta contra a desinformação no universo de Harry Potter

Miguel Martins


Alerta: O texto a seguir contém spoilers.


Quem acompanhou de perto a saga Harry Potter é familiar com a fama conquistada pelo Pasquim (The Quibbler), o tabloide do “mundo bruxo”. Publicado e editado por Xenofílio Lovegood, pai de Luna Lovegood, seu slogan já antecipa ao leitor o tipo de conteúdo disponível em suas páginas: “A voz alternativa do mundo bruxo.”


O Pasquim, assim como a família Lovegood, tornou-se conhecido por veicular teorias da conspiração e discussões sobre criaturas imaginárias, cuja existência ainda não podia ser comprovada. Os leitores em busca de um jornalismo mais tradicional, com foco na apuração criteriosa dos fatos, costumam optar pelo veículo de maior prestígio no universo de Harry Potter, o Profeta Diário (The Daily Prophet).


Luna Lovegood segurando uma das edições do Pasquim (Imagem: Reprodução/WarnerBros)


Na quinta publicação da série, Harry Potter e a Ordem da Fênix, o Pasquim passou a exercer um papel diferente no cenário jornalístico do “mundo bruxo”. Ao divulgar uma entrevista da colunista Rita Skeeter com Harry Potter, o tabloide foi o primeiro veículo de imprensa a reconhecer publicamente a versão de Harry sobre o retorno de Voldemort, principal antagonista da trama. Por outro lado, o Ministério da Magia adotou uma narrativa completamente negacionista e começou a perseguir todos aqueles que defendiam os fatos – Voldemort estava de volta.


Capa do Pasquim contendo a entrevista com Harry Potter (Imagem: Reprodução/WarnerBros)


Como o Lord das Trevas, um dos nomes adotados por Voldemort, tinha grande influência dentro do Ministério, a repressão a todos os que apoiavam o jovem Potter se tornou institucional. Seus amigos eram perseguidos dentro de Hogwarts (a escola onde são formados os jovens bruxos), e o Pasquim chegou a ser proibido nos corredores do palácio. Não bastassem os olhares e insultos, quem se aproximava de Harry também era punido com violência. Com a publicação da entrevista, os comensais da morte, apoiadores de Voldemort, sequestraram a filha de Lovegood.


Durante muito tempo, o Ministério da Magia e o Profeta Diário defenderam informações inverídicas e se recusaram a divulgar os fatos da forma como eles realmente estavam acontecendo. Isso permitiu que Voldemort tivesse uma rápida e esperada escalada totalitária, sem ampla resistência dentro da comunidade bruxa. Quando já não era mais possível esconder a verdade, o jornal foi obrigado a aceitar a versão de Harry. O Profeta Diário chegou ainda a veicular a entrevista de Rita Skeeter como exclusiva, mesmo que o Pasquim já a tivesse publicado meses antes.


Uma das capas do Pasquim durante o retorno de Voldemort (Imagem: Reprodução/WarnerBros)


Mesmo que o Pasquim não fosse considerado pela maioria como um veículo de imprensa sério, ele certamente cumpre uma função social. Assim como a maior parte dos tabloides, o jornal apresenta informações de forma mais descontraída e foca em temas populares – cotidiano, escândalos e polêmicas. Porém, em um momento de crise, com a ascensão de Voldemort, o Pasquim soube se reinventar e se posicionou como um defensor da verdade, abrindo os olhos de seus leitores para o que estava prestes a acontecer.

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