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O jornalismo esportivo e o fenômeno digital

Como a internet e as plataformas de streaming estão afetando a maneira de fazer jornalismo esportivo


Por: Thomás Accioly


Nos últimos anos, as plataformas de streaming e as redes sociais vêm se tornando cada vez mais presentes no mundo dos esportes e passando a rivalizar com a mídia tradicional que tudo controlava. As formas de se fazer jornalismo esportivo nesses novos canais de comunicação tem dividido opiniões e promete se desenvolver como tudo que a era digital trouxe, de maneira veloz e imprevisível.


Diferentemente da velha imprensa, as transmissões digitais têm foco voltado para os jovens e trazem características que dividem opiniões. Com linguagem mais simples e dinâmica, veículos como Amazon Prime, Tik Tok e principalmente a Cazé TV têm ganhado notoriedade na disputa por direitos de transmissões esportivas, que antigamente pertenciam ao monopólio das redes de TV aberta. Esse novo tipo de apresentação busca tornar as exibições que tinham tom professoral, onde o narrador e os comentaristas, eram os donos da verdade, em uma conversa de bar. Nesse novo modelo a ideia é que existam diferentes opiniões, muitas embasadas pela paixão clubística, de maneira leve e descontraída, fazendo com que o telespectador se sinta em uma roda com os amigos.


Além disso, esse tipo de transmissão traz a novidade de deixar uma câmera, durante todo o tempo, nos apresentadores. Esse formato é baseado no apelo dos jovens pela segunda tela, que busca fornecer uma experiência complementar à quem assiste, de modo que ele escuta a opinião de seu comunicador favorito ao mesmo tempo que assiste ao evento. E esse é para muitos o futuro das transmissões esportivas, em razão do grande interesse público sobre o que pensam os influenciadores digitais.


O grande exemplo desse novo jornalismo esportivo é a Cazé Tv, que vem revolucionando o mercado como um todo. O streamer e humorista Casimiro Miguel, de 29 anos, começou a fazer sucesso durante a pandemia com lives sobre futebol na plataforma Twitch, realizando reacts e conversando com a audiência sobre o mundo dos esportes. Desde então, abriu a empresa que leva seu nome e realiza a exibição de diversas competições importantes ao redor do mundo. Até hoje, a Cazé TV já exibiu eventos como a Copa do Mundo Masculina em 2022 e a Copa do Mundo Feminina de 2023. Atualmente, possui contrato para a transmissão de todas as partidas do Athletico Paranaense como mandante no campeonato brasileiro, a Bundesliga e, a partir do dia 20 de outubro, irá transmitir os Jogos Pan-Americanos em Santiago.

Legenda: Imagem de divulgação da transmissão dos Jogos Pan-Americanos na Cazé Tv (reprodução/Cazé TV).


Em pesquisa feita pela reportagem acerca das preferências do público, a aceitação desse novo tipo de transmissão é alta entre os jovens, mas gera divergência entre as pessoas mais velhas. Entre aqueles acima de 40 anos, 58% disseram gostar desse novo modelo. Já entre os jovens esse número atinge quase 80%. A popularização ainda está em crescimento, mas 35% do público até 30 anos já tem como maneira preferida de assistir à esportes nas mídias alternativas, enquanto entre a outra faixa etária apenas 19% preferem os streamings à mídia tradicional.











Legenda: Gráficos sobre a opinião do público sobre esses novos tipos de transmissão e sua preferência entre as mídias.


Segundo relatos dos entrevistados, as grandes vantagens do surgimento desses novos veículos são a quebra do monopólio dos direitos televisivos, o que permite dar voz a novos comunicadores e a fácil acessibilidade nas plataformas, que permitem o telespectador assistir de onde quiser pelo dispositivo que desejar. Já aqueles que não gostam dessa nova maneira de consumir esporte dizem que são "muito exageradas" e "não parecem coisa séria".


Dessa maneira, a tendência é que o jornalismo esportivo caminhe nessa nova direção, e isso pode ser comprovado pela estratégia usada pela Globo durante a Copa de 2022 de criar uma transmissão alternativa à tradicional. A exibição exclusiva do Globoplay apresentada por Tiago Leifert não teve a audiência desejada, mas já mostra como os grandes veículos de comunicação vão buscar se adaptar à esse novo modelo para atrair um público novo, mas, certamente, sem se desfazer da maneira tradicional, que ainda é a mais querida por grande parte da audiência.



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