Buscar

Eliane Scardovelli para o ECOCAST: O papel político do jornalismo e da arte


Samara Izidoro


Imagem: Reprodução/Twitter


O Ecocast se uniu ao projeto “Ecoar-te” para ouvir a diretora e roteirista Eliane Scardovelli sobre as responsabilidades políticas e sociais dos documentários, como produções que unem a arte e o jornalismo. Ela ainda aproveitou para contar sobre a trajetória no Profissão Repórter e sobre como passou a atuar na produção de documentários.


Segundo ela, o caminho que escolheu no jornalismo – o da produção de documentários – não foi planejado. “Quando pensei no jornalismo, pensei no impresso. Então, o meu sonho era ser jornalista da Folha de São Paulo”. O que direcionou Scardovelli para a produção na televisão foi a visita aos estúdios da TV Globo com a faculdade e a posterior contratação pela emissora: “Ali no Profissão Repórter que consegui entender que a minha vontade de fazer reportagem poderia se unir à minha vontade de fazer filmes”.


Ela entrou na Academia Internacional de Cinema em São Paulo e fez seu documentário de estreia: o curta “Muro”, sobre a desigualdade social no Brasil. O curta mostra como crianças pobres observam a área de lazer de um condomínio pelo muro de uma comunidade.


Nome reconhecido na produção audiovisual, Eliane Scardovelli elogiou a produção de podcasts como “Praia dos Ossos” e “Retrato narrado”. Apesar de não ter produzido nenhum podcast até o momento, confirmou interesse pelo desafio de mergulhar nesse novo formato, principalmente por se enxergar como uma profissional apegada ao uso da imagem.


Scardovelli entende que o encontro entre o jornalismo e a arte existe, mas deve ser dosado conforme as exigências da história contada. Os experimentos de Eliane no período pandêmico possibilitaram novos caminhos para o futuro: “Imagino que os próximos trabalhos possam ter também essa veia um pouco mais artística, que tem o seu pé na realidade, mas que ela também te permite usar a imaginação para criar mais”.


Dentro do Profissão Repórter, ela identificou algumas tentativas de desestabilização emocional e infantilização no ambiente de trabalho, especialmente pelo fato de ser mulher. “Essa tentativa de te colocar numa caixa de uma pessoa fofinha, que não sabe muito bem o que tá falando”, afirma. A jornalista acrescentou ainda que participou da construção do livro especial de 10 anos do programa, no qual conta esses desafios.


Para Eliane, o sucesso de seus trabalhos se deve ao fato de que eram assuntos exigidos pelo momento. Lançado em 2020, “Marielle — O documentário” recria a trajetória da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, assassinada ao lado de seu motorista, Anderson Gomes, em um crime ainda sem respostas. Ela destacou a angústia que sentiu no dia que o primeiro episódio da série foi ao ar na televisão: “Eu ficava imaginando: Quem fez isso tá assistindo esse documentário?”. A diretora acredita que, apesar de ser uma história singular, se trata de um crime que traduz a realidade brasileira e, sobretudo, a realidade do Rio de Janeiro.


Já sobre a pandemia de Covid-19, Eliane elogiou a movimentação da imprensa para obter dados que eram ocultados pelas fontes oficiais do país. “Cercados”, que foi indicado ao Emmy Internacional em 2021 e contou com a contribuição de Scardovelli, ressaltou o papel da imprensa em um momento de avanço do negacionismo e da circulação de fake news. “Você vai confiar em quem? No seu tiozinho querido ou em um jornalista que você nem conhece?”, brincou a jornalista.


Para mais informações sobre a carreira de Eliane Scardovelli, ouça a entrevista na íntegra aqui.




6 visualizações0 comentário