Buscar
  • Pitacos

“Como ver um filme” revela um pouco da arte de “fazer cinema” para quem não é especialista

Atualizado: 15 de out. de 2020

Um guia de como assistir filmes de verdade, saindo da ponta do iceberg da observação e imergindo ao fundo da compreensão


Maria Rita Garcez


Muitos são apaixonados por cinema, só que nem sempre sabem externar, em palavras, uma crítica ao filme assistido. Geralmente, os espectadores dizem algumas impressões de maneira rasa e, por vezes, resumem a um “gostei” ou não. Se você é uma dessas pessoas e quer aprender a apreciar de fato a sétima arte, o livro Como ver um filme de Ana Maria Bahiana é perfeito para você.

(Capa do livro/Imagem: Reprodução)

A leitura é ótima para quem quer se aprofundar mais na área cinematográfica, sendo por hobby ou não. O livro é escrito por Ana Maria Bahiana, jornalista cultural carioca que já atuou como crítica musical da revista Rolling Stone brasileira, correspondente internacional de Los Angeles do Telecine e atualmente pertence à Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood(HFPA, sigla em inglês), responsável pelos Prêmios Globo de Ouro.


Na introdução, a autora nos conta sua percepção de cinema: (...) “sou mais partidária das visões de Jean Cocteau, Luiz Buñuel e David Lynch: o cinema é a arte mais próxima do sonho acordado. Estamos no escuro, mas de olhos bem abertos”. Além disso, ela nos convida a sair da zona de conforto que nós, a plateia, estamos acostumados. Frequentemente, só vemos e não assistimos a um filme, verbos usados para diferenciar os espectadores passivo(observador) e ativo(contribuidor). Ou seja, não nos aprofundamos nas emoções, ensinamentos e reflexões que as obras nos permitem sentir e fazer, observamos a película e não participamos dela, como Ana afirma.

Ao decorrer do livro, a jornalista nos explica melhor sobre tudo que um filme passa até chegar ao público. Como que a ideia chega aos produtores, quanto tempo uma filmagem leva, como as equipes de fotografia e arte, o diretor, os atores e os montadores exercem seus trabalhos e os gêneros, que ajudam na criação dos longas.

Outro ponto importante que a carioca levanta é a possibilidade e necessidade de um filme ser feito. Bahiana deixa bem claro que ele tem que ser possível. Não no sentido de ser verossimilhante, mas de te fazer entrar dentro daquele universo: real ou fantasioso. Já a necessidade é autoexplicativa, escolher e fazer aquilo que é realmente importante para a duração de tela, já que as películas geralmente não passam de duas horas e esse tempo não pode, no final, ter uma sensação de perda, segundo a autora. Decerto, há razão nesse pensamento, o filme é para ser apreciado e um acréscimo cultural, um ganho intelectual ou um simples e mero entretenimento que alivia a tensão do mundo em que vivemos.

(Cena da franquia “Harry Potter”/Imagem: Reprodução)

O encanto do livro não está somente no assunto tratado, mas também na forma simples e didática, sem tantas enrolações que Ana Maria Bahiana traz ao leitor que, por certo, é leigo em cinema. Leigo, na definição de que o indivíduo não é especialista, gosta bastante do assunto e está disposto a imergir nas águas profundas da sétima arte, principalmente a hollywoodiana.

A formatação do livro é bem parecida com um guia, porque cumpre esse papel. Ele é o caminho que devemos percorrer para entender o final, que é a apresentação de 120 minutos que acontece numa tela enorme, dentro de uma sala escura cheia de cadeiras e de gente. A leitura também apresenta alguns esquemas que facilitam a compreensão da fala de Ana Maria Bahiana, o que é ótimo para visualizarmos o que já foi explicado, posto que ainda poderia gerar problemas de entendimento.


A autora é democrática nas escolhas das obras citadas. Há filmes para todos os gostos. Os clássicos, como Tempos Modernos, de Charles Chaplin, filmes cults como Pulp Fiction, de Quentin Taratino, e O bebê de Rosemary, de Roman Polanski, e franquias que arrastaram várias tribos aos cinemas como Senhor dos Anéis e Harry Potter.

Apesar de a maior parte de filmes citados serem da língua inglesa e pertencentes à grande indústria cinematográfica de Hollywood, o livro é um ótimo começo para entender sobre o “fazer cinema” em qualquer lugar do mundo. E ele se torna um guia necessário para quem consome esse tipo de arte justamente por isso, ele nos mostra todo o processo e nos lembra que produzir isso depende de tempo, dinheiro e dedicação.

246 visualizações3 comentários