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Todo mundo odeia o Chris, a fake news e os estereótipos

Atualizado: 29 de jun.

Sara Trindade


(Imagem/Reprodução)


Como se constrói e se propaga um conteúdo de fake news? Esse é o tema do episódio seis da terceira temporada de Todo Mundo Odeia o Chris, sitcom escrita pelo comediante Chris Rock. A história se desenvolve a partir do momento em que o estudante e personagem central Chris se inscreve no grupo de jornalismo do colégio Corleone, na tentativa de preencher o formulário do livro do ano com alguma atividade.

Confuso sobre o que escrever para o jornal do colégio, o estudante conversa com seu patrão Doc. E ele sugere que Chris escreva sobre sua relação com as mulheres quando era jovem. Nesse momento, Doc se auto-intitula um "matador com as mulheres", no sentido de já ter namorado várias delas. Assim, Chris escreve sobre a história e apresenta a matéria para a editora Lisa, mas ela diz que o artigo não será publicado, por achar que não se trata de algo interessante. Sua professora, senhorita Morello, também lê o texto e não gosta dele. Então, com um ponto de vista cheio de conceitos preconceituosos sobre o bairro onde o estudante mora, ela propõe que Chris escreva sobre a violência e a criminalidade que acontecem em Bed-Stuy.


Seu amigo Greg, em uma conversa, diz que se Chris quer ser lembrado e ter alguma atividade escrita no livro do ano, ele tem que dar às pessoas histórias que elas querem ouvir, ou seja, notícias sensacionalistas sobre o bairro do Brooklyn.


"Pensei que o jornalismo tivesse a ver com documentar os fatos, mas eu descobri que nem sempre as pessoas querem saber dos fatos, então resolvi dar o que as pessoas queriam. Peguei a história do Doc sobre ser um matador com as mulheres e apaguei a parte das mulheres", diz o personagem Chris.


Nesse momento, o personagem transforma o seu texto jornalístico em uma ficção. O conteúdo falso criado por ele chega aos telejornais e aos principais jornais impressos de Bed-Stuy. Desde a perda da confiança na imprensa local, até o prejuízo no comércio com a diminuição do número de clientes nas lojas, a história mostra como as notícias inverídicas podem ter uma interferência desastrosa no cotidiano das pessoas.


A trama apresenta também o retrato de uma parcela da população que tem simpatia por notícias pautadas em exageros e estereótipos: Chris modificou seu artigo para contar a falsa história de um assassino que andava pela periferia da cidade graças à sugestão de uma professora que não morava na região e não tinha conhecimento sobre a área. Mesmo assim, definiu o lugar como violento por se tratar de um bairro de população majoritariamente negra, revelando seu racismo e seu olhar totalmente baseado em estereótipos.


No episódio, a imprensa mostra seu preconceito quando a matéria chega aos principais veículos de comunicação do bairro, ganhando manchetes e notícias sensacionalistas e racistas sobre o caso.


Fora da ficção, jornais que utilizam sensacionalismo também são uma realidade. Os efeitos disso são extremamente prejudiciais à sociedade, pois reforçam narrativas baseadas em estereótipos raciais, além de manipular informações para justificar ações de violação dos direitos humanos, como a violência policial. A sitcom questiona de forma satírica um determinado tipo de comunicação e alerta sobre a linguagem preconceituosa enraizada e persistente no jornalismo. O episódio pode ser assistido nos serviços de streaming HBOmax e Globoplay.


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