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The post: a guerra secreta e a realidade jornalística

Por Gabriela Vinhaes Santos Neves





(O ambiente da redação é presente durante todo o filme)


A imprensa deve servir os governados, não os governadores. Esta é uma das premissa que

o filme norte americano The post: a guerra secreta conta, através de uma história que tem como ponto principal o jornal The Washington Post, os bastidores desse veículo de comunicação assim como o impacto da mídia na democracia de um país que passava pela Guerra Fria, especificamente pela guerra do Vietnã. Os paralelos entre o filme e a vida real são diversos, gerando dúvidas sobre o aspecto de fantasia do filme.


O longa-metragem do diretor Steven Spielberg, inicialmente, expõe a realidade dos

jornais americanos da época. Brigas entre o The Washington Post e o The New York Times são um dos principais assuntos, como também, a urgência pelo furo jornalístico. O primeiro conflito do filme é usado para mostrar a disputa por informações, que é exemplificada pelo segmento da infiltração de um dos estagiários do Post na redação do Times. A motivação para tal se dá por conta da desconfiança de Ben Bradlee, diretor do jornal Post interpretado por Tom Hanks, em relação a uma investigação bombástica que seria utilizada como notícia da primeira página do jornal rival. Situações como essas, em que há disputa por informações, são recorrentes, com os jornais, a todo tempo, tentando superar uns aos outros.


Outro ponto em que o filme toca é na relação entre imprensa e política: Qual é o papel

dos jornais para a democracia e qual é a responsabilidade da mídia? Na história, a tão importante notícia que o Times tinha era uma cópia de um dossiê oficial que mostrava a negligência do Governo dos EUA durante a Guerra do Vietnã. Arquivos que comprovavam o fracasso da nação norte-americano no confronto contra o país asiático que, durante esse período, estava adotando ideais socialistas, mostravam que, mesmo sabendo da incapacidade de vencer o conflito, os EUA escolheram continuar com o plano de guerra, mandando soldados para o território. Quando o Times publicou algumas informações sobre a questão da guerra, milhares de revoltas estouraram país afora e o governo americano, liderado naquele momento por Richard Nixon, resolveu, como resposta, processar o jornal, impedindo a publicação de outras notícias ligadas ao caso.


(Meryl Streep e Tom Hanks abrilhantam o mundo jornalístico)



Medidas governamentais que prejudicam a publicação de certos materiais na mídia são,

também, outro paralelo do filme com a realidade. No Brasil, durante vários governos, como o de Jair Bolsonaro e os da ditadura militar, houve um cerceamento no compartilhamento de

informações que afetariam de forma maléfica o governo e/ou os representantes. Um exemplo

desse cenário foi a omissão por parte do, então, governo de Bolsonaro (2019-2022) sobre os

dados da pandemia do Covid-19. O Ministério da Saúde, responsável pela divulgação de

informações como a quantidade de óbitos que ocorreram nas últimas 24 horas no país, parou de comunicar ao público essas pesquisas, o que resultou em uma espécie de força-tarefa por parte dos veículos de imprensa para apurar e anunciar esses dados. Assim, fica evidente como, muitas vezes, os meios de comunicação desempenham um papel que vai além de simplesmente serem um portal de notícias.



Voltando ao filme, é apresentado que Ben, ao conseguir acesso ao mesmo estudo

publicado pelo Times, se mostra completamente a favor de publicá-lo em seu jornal, mesmo

sabendo da possibilidade desse ato ocasionar em um processo e, até, no fechamento do

Washington Post. Esse personagem, portanto, representa a ideia de que a mídia não deve ser

censurada pelo Estado, dado que os meios de comunicação servem ao povo.

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