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  • Foto do escritorPitacos

Os perigos do jornalismo: 18 anos sem Tim Lopes

Atualizado: 9 de out. de 2020

Luana Brandão


Na busca por retratar a realidade enfrentada pela população das favelas no Rio de Janeiro frente à violência da criminalidade, Arcanjo Antonino Lopes do Nascimento enfrentou suas últimas horas de vida nas mãos de perigosos traficantes. Na matéria publicada no site Aventuras na História: “Tim Lopes: o jornalista que foi julgado, torturado e executado por traficantes do Rio”, é possível perceber o impacto do jornalismo no cotidiano e perceber os medos enfrentados por quem atua nessa profissão.


Dos primeiros trabalhos de Tim no meio informativo até detalhes da investigação de sua morte, a reportagem de Flávio Previdelli relacionou o carisma, a personalidade e a empatia do jornalista às excelentes matérias por ele produzidas, focadas em um âmbito mais expositivo e humano, de maneira até emotiva. Defendendo causas sociais, relatando difíceis realidades laborais e o triste domínio das “leis do tráfico” nas comunidades do Rio, o repórter buscava dar maior visibilidade à população de classe baixa. Além disso, Lopes tinha o anseio por denunciar injustiças e a ascensão da criminalidade.

(Foto de Tim Lopes/Imagem: FENAJ)


Ainda que tenha sido um profissional renomado, o triste caso de Tim Lopes expõe as dificuldades enfrentadas pelos jornalistas no Brasil, uma vez que é notória a perseguição sofrida pela imprensa, porém, desta vez, com um fim trágico. Não é novidade que o silenciamento é uma forma de repressão antes praticada por traficantes no Rio, sendo esse o primeiro cometido contra alguém do meio jornalístico. No entanto, a história do jornalista ressalta um grande desafio: a dualidade entre ser um repórter competente e ter voz. De forma cruel e brutal, Lopes foi executado sem qualquer segurança possível ao visitar a favela da Vila Cruzeiro, na Zona Norte do Rio, para realizar denúncias - a pedido de moradores - e não pôde contar com ajuda policial, já que esses não seriam bem-vindos.


Flavio Previdelli detalha, em sua reportagem, de maneira precisa, a história de vida do homem que foi pauta nos grandes jornais na época de sua morte. As notícias sobre a procura pelo carismático repórter foram veiculadas em alguns dos principais jornais como O Globo, Folha Online e Estadão. A partir da abordagem de Flávio é possível conhecer a vítima e se emocionar com todo o contexto, visto que a matéria desperta um apego à figura de Tim e a seu trabalho.


Os parágrafos referentes à investigação do caso geram certo desconforto, já que o detetive responsável, Daniel Gomes, relata as atrocidades cometidas pelos bandidos, já antes conhecidos no Rio de Janeiro. O desfecho da reportagem conta da forte pressão sobre as autoridades em busca dos mandantes e executores do crime. Foram presos Elias Maluco, Xuxa, Ratinho, Zeu e Primo, envolvidos na barbárie, além de André Capeta, Buda e Boizinho serem encontrados mortos em confrontos com policiais.

(Prisão de “Zeu” no Complexo do Alemão/Imagem: Carolina Iskandarian - G1)


Por certo que o texto do Aventuras na História desperta uma angústia ao finalizar-se a leitura, ainda que os criminosos não estejam a solta. É preocupante pensar nos limites que podem ser ultrapassados por um indivíduo a fim de restringir a liberdade da imprensa, e para além disso, é impossível garantir a segurança dos jornalistas brasileiros, estando esses (ou não) em horário comercial. De uma maneira geral, é necessário um olhar crítico e ao mesmo tempo humano - sobre os detalhes da reportagem de Flávio, já que, a partir dela, fica claro quanto o caminho do [futuro] repórter no Brasil é, em toda sua extensão, árduo, solitário e até mesmo perigoso.

(Homenagem a jornalistas que pagaram com a vida por buscar e transmitir a verdade dos fatos/Imagem: Fabiano Rocha - O Globo)



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4 Comments


Luana Brandão
Luana Brandão
Sep 30, 2020

muito obrigada, galera! <3

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Felipe Galeno
Felipe Galeno
Sep 22, 2020

Ótimo texto!

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Anne Poly
Anne Poly
Sep 21, 2020

Muito interessante!

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Juliana Sorrenti
Juliana Sorrenti
Sep 21, 2020

Parabéns, Lu. Ótima reflexão!

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