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Os bastidores do jornalismo de Roberto Cabrini

Gabrielle Vitória


O incrível jornalista Roberto Cabrini revela em seu livro, No rastro da notícia, os bastidores de uma série de reportagens. De Ayrton Senna a PC Farias, Cabrini confidencia ao leitor histórias inéditas por trás das câmeras de 10 das suas grandes matérias que foram ao ar.



Capa do Livro (Imagem: Reprodução)


Roberto Cabrini é referência quando o assunto é jornalismo. E se engana quem pensa que ele se destaca apenas na área investigativa. Além de acompanhar o piloto Ayrton o piloto Ayrton Senna nas corridas da Fórmula 1, Cabrini fez a cobertura de várias Copas do Mundo e das Olimpíadas. Trabalhou, também, como correspondente da Rede Globo em Nova Iorque e em Londres. Com mais de 30 anos de carreira, é dono de 21 prêmios jornalísticos, incluindo o de “melhor repórter de mídia falada” na edição de 2019 do Prêmio Comunique-se. Já trabalhou nos principais canais de televisão, incluindo o SBT, onde foi editor-chefe e apresentador do Conexão Repórter. Recentemente, foi contratado para fazer parte do time da Record.


“Em No rastro da notícia, ele nos leva a viver duas emoções em uma só narrativa; apresenta um elenco de personagens encantadores e, talvez de forma involuntária, oferece o melhor caminho para se conhecer a alma complexa de Roberto Cabrini, o repórter mais popular do país”, escreve Caco Barcellos, na contracapa do livro de seu parceiro de profissão.


Logo nas primeiras páginas, o autor já adianta um ensinamento de extrema importância, principalmente para os novatos na profissão: “A cada 10 tentativas dessa tão grande reportagem, apenas uma pode vingar. Nas outras 9, perde-se tempo, suor e dinheiro, sem que tudo que conseguimos nos leve de fato ao idealizado pote de ouro”.


Dos dez capítulos que compõem o livro, dois são sobre a cobertura de conflitos estrangeiros. Em ambos os cenários, Cabrini, com muita sensibilidade, tentou retratar não só o óbvio da guerra, mas também algumas histórias escondidas nas trincheiras da violência ardente. No Iraque da década de 90, por exemplo, o autor destacou a crise sanitária e econômica do país que, na época, possuía o petróleo mais barato do mundo, mas ainda assim sofria com a falta de alimento e recursos médicos para a população. “O equivalente a dois dólares por mês”, responde a médica do hospital universitário, que precisava reutilizar luvas e seringas no tratamento dos pacientes, ao ser perguntada quanto ganhava um profissional como ela.


Cabrini aborda, também, em meio à busca por informações para suas reportagens, a questão da ética. Na cobertura da trágica noite da morte de Ayrton Senna uma das mais difíceis de toda a sua carreira, ele destaca um homem, nas ruas de Bolonha, na Itália, lhe ofereceu um “documento único”, que na verdade se tratava de um envelope com fotos do corpo do piloto dentro do caixão. “As fotografias nada acrescentariam no esclarecimento dos fatos: serviriam apenas para ofender a família e a legião de admiradores de Ayrton”, esclarece o repórter, que, tomado por desprezo e indignação, prontamente recusou a oferta.


Nas últimas páginas, Cabrini reservou espaço para homenagear personagens especiais da sua história. Primordiais para as coberturas, apesar de muitas vezes serem esquecidos pelo telespectador, os cinegrafistas que o acompanharam durante suas reportagens ganharam uma mensagem exclusiva: “Agradecimento aos amigos e companheiros cinegrafistas [...]: parceiros valentes e talentosos sem os quais essas histórias não teriam existido”.


No rastro da notícia é uma leitura indispensável não só para quem deseja seguir carreira na área do jornalismo investigativo, mas também aqueles que têm interesse em saber um pouco mais dos bastidores e personalidades envolvidas nas grandes matérias produzidas por Roberto Cabrini. Ao reunir anos de experiência em 299 páginas, Cabrini acaba falando muito sobre o dia a dia do repórter, de expectativas e frustrações da profissão, e deixa bem claro aquilo que não pode faltar em um jornalista: determinação.




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