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Oceanos de Plástico: a necessidade de se minimizar o uso de plástico

Atualizado: 5 de out. de 2021

Documentário dirigido por Craig Leeson mostra o vulnerável estado dos oceanos, expondo as alarmantes verdades sobre o descarte de plástico e apresentando soluções para o problema.

Daniela Lopes


Com o objetivo de documentar os encantos da baleia azul, o jornalista e roteirista australiano Craig Leeson parte, com um grupo de pesquisadores, para uma jornada nos mares de Sri Lanka. No entanto, ao gravar uma jovem baleia-azul-pigmeu debaixo d’água, a equipe de filmagem percebe uma enorme quantidade de plásticos flutuando na superfície do oceano. Isso gera mudanças no roteiro do documentário, que passa a abordar o impacto da presença excessiva de plásticos nos oceanos na vida de animais marinhos e de humanos.


Oceanos de plástico foi lançado pela Fundação Plastic Oceans em setembro de 2016, mas, infelizmente, seu conteúdo se mantém atual. Durante o documentário, que pode ser visto na plataforma de streaming Netflix, o jornalista e a mergulhadora Tanya Streeter apresentam vários dados acerca da produção, do uso e do descarte de plástico no mundo. Em 10 anos, a humanidade produziu mais plástico do que em todo o século passado. Quase todo plástico já produzido no mundo ainda está no planeta. Além disso, os dois apontam que cada pessoa descarta, por ano, cerca de 136 quilos de plástico classificado como descartável, contribuindo para o despejo de 8 milhões de toneladas de plástico nos oceanos no mesmo espaço de tempo. O documentário evidencia, ainda, o paradoxo entre os pontos positivos e negativos do uso do plástico. “Plástico é ótimo porque dura e plástico é terrível porque dura”, aponta Craig Leeson.

A dupla também entrevista pesquisadores estudiosos sobre os efeitos do plástico nos ecossistemas. Eles explicam que o plástico não é degradável, é apenas quebrado em partículas menores. Quando o plástico acaba nos mares, o sol, as ondas e o sal o fragmentam em microplásticos. Estes mini fragmentos absorvem toxinas e químicos que flutuam nos oceanos e, lamentavelmente, integram-se à cadeia alimentar. Nesse sentido, os humanos são indiretamente afetados, uma vez que consomem frutos do mar, que, por sua vez, ingerem microplásticos involuntariamente.


(Tartaruga morre após ingerir 104 pedaços de plástico/ Imagem: Gumbo Limbo Nature Center)


Ao longo do documentário, o jornalista e a mergulhadora visitam pessoas afetadas pelo descarte e uso incorreto do plástico. Em sua viagem a um vilarejo de Fiji, Leeson conhece Rosie, matriarca de uma família habitante do povoado. Enquanto a vê cozinhar o jantar, o jornalista percebe que Rosie acende o fogo usando plástico. Ao perguntá-la o motivo, ela responde que o plástico é a opção mais barata e mais prática, mas aponta que a fumaça gerada pela queima do material gera diversos problemas respiratórios nos membros da família. O pesquisador que acompanha Leeson na viagem, explica que a queima do do plástico gera um vapor o qual contém cancerígenos e ftalatos, que são tóxicos para os humanos.


Craig Leeson também visita o litoral sul de Hong Kong, que foi cenário de um desastre ambiental no ano de 2012. Contêineres cheios de bolinhas de plástico caíram de uma embarcação durante a passagem do tufão Vicente na região. Estima-se que 150 toneladas de bolinhas foram derramadas nas praias e mares da área. O jornalista conversou com alguns moradores da costa sul do país, os quais afirmam que o acidente destruiu o mercado local, que era baseado na venda de frutos do mar.



(Bolinhas de plástico em uma praia de Hong Kong/ Imagem: Kin Cheung)


A cidade de Manila abriga grandes depósitos de lixo que afetam os indivíduos em situação de vulnerabilidade do lugar. Em sua passagem pela capital das Filipinas, Leeson visita as Smokey Mountain I e II. A primeira funcionou como depósito para mais de 2 milhões de toneladas de lixo por mais de 40 anos. O local, lar de muitas famílias, contém uma grande quantidade de metano devido à decomposição dos materiais, que quando queimado, gera uma fumaça tóxica. As famílias que vivem nessa área apresentam graves doenças pulmonares, como tuberculose e enfisema. A segunda é um aterro sanitário próximo à Baía de Manila que abriga 2000 famílias. O jornalista descreve o cheiro do lugar como uma mistura de esgoto e óleo. Quando chove na região, o lodo e o lixo do aterro acabam na Baía de Manila, que se fragmenta em canais da cidade. Isso gera uma poluição dos rios da capital filipina.


Tuvalu, uma ilha remota localizada no sul do Pacífico, possui uma alta concentração de lixo plástico em seu território. Para entender o acúmulo do material nessa área, Tanya Streeter viaja até o micropaís. A mergulhadora explica que Tuvalu é superpovoado, o que significa que existe uma quantidade maior de população do que a região comporta. Portanto, há pouco espaço livre tanto para abrigar as pessoas, quanto para depositar o lixo. Por isso, muitas casas foram construídas sobre valas e poços, onde, também, são depositados os resíduos. Streeter entrevistou Marao Apisai, que vive sobre uma vala. Ela diz que, ao longo de sua vida, viu a quantidade de lixo plástico aumentar muito ao seu redor. Na sua infância, ela nadava e pescava nos poços, mas com o acúmulo de lixo na área, aquelas atividades se tornaram nocivas. Gradativamente, muitos habitantes da região desenvolveram câncer e problemas de fertilidade.

“Eles (os moradores da vala) não querem ir embora. Aqui é um lugar bom, mas as embalagens de plástico destroem o nosso paraíso.”.


É preciso ressaltar que o longa apresenta cenas incômodas e angustiantes. Imagens de focas e golfinhos presos em redes ou sacolas plásticas e de aves e animais marinhos agonizando até a morte devido à grande quantidade de plásticos em seus estômagos compõem a mensagem de urgência que Leeson busca transmitir. Além disso, o jornalista exibe imagens de famílias em situações vulneráveis para despertar um senso de empatia e mudança nos telespectadores.


Apesar de tratar de um tema trágico e desgastante, o documentário é envolvente, pois informa o telespectador acerca dos efeitos do mau uso do plástico ao apresentar diferentes personagens, cenários e histórias. Além disso, a dupla protagonista, no final do filme, aponta medidas individuais que cada um pode tomar em sua rotina para minimizar os consumo e descarte irresponsáveis, promovendo uma reflexão no que diz respeito à relação dos humanos com o plástico.


Para saber mais sobre o assunto, visite o site https://plasticoceans.org/.


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