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"Fake art": a verdade sobre um caso de arte falsa

Atualizado: 5 de out. de 2021

Bruna Abinara


"A arte engana as pessoas muito mais do que se imagina." Uma das primeiras frases do documentário Fake art: Uma história real, dirigido por Barry Avrich e lançado na Netflix, já nos prepara para a trama retratada: o maior caso de fraude no mercado de arte dos EUA, que resultou na venda de 80 milhões de dólares em quadros falsificados.

(Imagem: Divulgação/Netflix)



Foram mais de 60 telas falsas levadas à Galeria Knoedler, a mais tradicional e prestigiada galeria de arte de Nova York, que as revendeu a diversos museus e colecionadores como obras autênticas. Uma vez que a fraude já é conhecida, a principal questão do documentário não é discutir a falsificação das peças, mas quem sabia do esquema e quem foi enganado. O próprio aviso no início do filme de que foram mantidos os nomes reais, "pois alguns não são tão inocentes" adianta o enredo da trama.

O começo do golpe, em 1995, foi a pequena art dealer até então desconhecida, Glafira Rosales, vender à Ann Freedman, presidente da Galeria Knoedler na época, obras desconhecidas de alguns dos maiores pintores do século XX, como Pollock e Rothko. Apesar da falta de informação acerca da proveniência dos quadros, Ann as levou para diversos analistas que afirmam que as obras eram originais.

Apenas em 2011, após uma perícia forense em uma das pinturas, descobriu-se que todas eram falsas. Glafira Rosales foi presa e confessou que os quadros eram de autoria de Pei-Shen Qian, um artista chinês que havia tentado a vida nos EUA e trabalhava como professor de matemática.



(Uma das telas falsificadas/Imagem: Reprodução)


O documentário dá espaço a diversas vozes, oferecendo ao espectador uma visão múltipla sobre o caso. Além de Ann Freedman, principal entrevistada, falam também compradores e colecionadores, advogados, jornalistas e psicólogos envolvidos no assunto, assim como o ex-namorado de Glafira Rosales, José Bergantiños Diaz, que tinha antecedentes criminais por falsificação e fugiu para seu país de origem quando o escândalo veio à tona.

O jornalista de arte do The New York Times, M.H. Miller, se contrapõe à Ann Freedman e seu advogado, dizendo que a ela ou fazia parte do esquema de fraude, ou era ingênua em um nível acima do acreditável. Além disso, a abordagem jornalística do documentário faz bem o proposto, mostrando toda a história desde o começo, ressaltando a importância de checagem das informações e antecedentes daquelas obras.

O que torna a história relevante, em adição a sua magnitude, é o fato das cópias terem convencido dezenas de curadores e especialistas de arte. Desse ponto surge o principal questionamento do documentário: será que esses profissionais estavam tão interessados em encontrar o "Santo Graal" de suas carreiras que se deixaram enganar tão facilmente?

O documentário levanta ainda uma reflexão sobre o valor da arte. Telas que um dia custaram milhões de dólares, num outro não valem mais nada. "Enquanto a arte for vendida por muito dinheiro, veremos fraudes em grande escala".


Disponível em: Netflix



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