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De repente 30: competitividade e inovação no mundo editorial

Lançado há 17 anos, o filme traz aspectos que podemos encontrar ainda nos dias de hoje no mercado de trabalho


Liege Silva


Jenna Ring (Christa B. Allen) é uma adolescente insatisfeita com sua vida. Ela tem apenas seu melhor amigo, Matt Flamhaff (Sean Marquette), e tudo que mais deseja é que seu aniversário de 13 anos a ajude com sua popularidade. Para isso, ela convida um grupo de garotas da escola, As Seis Gatinhas, que não disfarçam seu desprezo por Jenna e Matt e apenas aceitam ir em sua comemoração por interesse em um trabalho de escola.


Enquanto se prepara para sua festa de aniversário, Jenna conversa com sua mãe sobre as mulheres na revista preferida dela, Poise. Ela diz que não quer ser bonita do seu próprio jeito, mas sim como as modelos da revista. No título da matéria, “30 anos, a idade do sucesso”, Jenna enxerga uma oportunidade de, um dia, alcançar seu desejo. Ela só não sabia que seria no mesmo dia de seu aniversário de 13 anos.


(Imagem: Reprodução)



Jenna (Jennifer Garner) não entende o que aconteceu mas acordou com 30 anos, um apartamento luxuoso, namorado famoso e o cargo de editora na grande revista que tanto amava aos 13 anos. O filme vai mostrando o desenrolar de sua vida pessoal, amorosa e profissional. Lançado há 17 anos, o filme ainda traz tópicos interessantes sobre a carreira em uma grande revista e a competitividade no mundo editorial.


Quando chega na primeira reunião depois de ter acordado com 30 anos, Jenna se depara com o caos em seu trabalho. A revista concorrente, Sparkle, está recebendo informações internas e saindo na frente com publicações e matérias. A capa da Poise traz a cantora Jennifer Lopez com a chamada “10 segredos de Jennifer Lopez”, enquanto Sparkle traz a mesma artista com a chamada “11 segredos de Jennifer Lopez”. A partir daí, o filme se desenrola em Jenna tentando achar meios de trazer de volta a vida e vigor da revista.


(Imagem: Reprodução)


Podemos perceber no decorrer do filme como as relações são importantes em uma editoria. Antes de “acordar” com 30 anos, Jenna tinha se tornado uma pessoa rude e mesquinha. Quando ela assume seu corpo de 30 com a mente de 13, ela tenta melhorar sua personalidade e relação com funcionários. Graças a isso, ela consegue fazer a festa da Poise ser um sucesso, a colaboração de seus colegas, o apreço dos que estão à sua volta e tudo isso enquanto se diverte no processo.


O dia-a-dia no trabalho de Jenna envolve muita criatividade e reuniões para decisões serem tomadas e ideias serem avaliadas em conjunto. Apesar disso, há um clima de competitividade entre os próprios funcionários, como é o caso de Jenna e Lucy (Judy Greer), que era, até então, sua melhor amiga e uma das Seis Gatinhas quando eram jovens.


A rivalidade entre Jenna e Lucy vai ficando cada vez mais nítida. O editor-chefe as chama de “dupla dinâmica”, mas Lucy aparenta ter inveja da amiga e, por isso, parece um pouco frustrada em trabalhar com Jenna. Ela decide trabalhar sozinha, sem saber que Jenna seguiu o mesmo caminho.


O mais interessante de se notar no filme é que um dos desafios da revista Poise gira em torno das vendas de exemplares. Atualmente, com um mundo digitalizado e correndo em telas, é muito curioso perceber que, há não muito tempo, a venda de revistas físicas era muito relevante. Enquanto isso, aqui no presente, muitas revistas precisaram se reinventar e passaram a ser 100% digitais, como, por exemplo, a Capricho, uma revista voltada para adolescentes sobre mundo Pop. Se acontecesse em 2021, talvez a Poise pudesse se beneficiar do formato digital.


(Imagem: Reprodução)


Na tentativa de solucionar os problemas da revista, a equipe decide apostar em pessoas reais a partir da ideia de Jenna. Ela propõe que a Poise traga os amigos da irmã mais velha da melhor amiga de pessoas normais e não supermodelos, ou, também, o baile de formatura da escola e por aí vai. É uma forma de se reaproximar do público ao investir na própria comunidade em volta.


Ao final do filme, Lucy descobre que Jenna, antes de acordar com 30 anos, era quem estava passando informações internas para a concorrência. Ela toma a frente e envia o novo formato da revista e, poucos dias depois, a Sparkle lança o projeto antes da Poise. Tudo isso para obter o cargo de editora-chefe na rival.


Hoje em dia, uma coisa é certa: em um mundo digital, onde notícias estão na palma da mão, os profissionais de comunicação e jornalismo precisam estar preparados para ter meios de inovar sempre que necessário. Tudo muda a um clique e novas pautas surgem. O melhor a se fazer é desenvolver a capacidade de adaptação e absorção de novidades.


Após a traição de Lucy, não sabemos como a Poise se reergueu de mais um imprevisto. O filme volta a focar na vida pessoal de Jenna. Naquela época, um momento onde a internet ainda não era tão acessível, talvez tenha sido difícil se reinventar e vender mais revistas com uma concorrente tão presente. Resta para nós a dúvida: A Poise ainda estaria entre nós nos dias de hoje?





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