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O impacto de Trump no mundo

Reportagem da BBC mostra como as decisões de Trump interferem em nível global

Maria Rita Garcez


Às vésperas da eleição presidencial dos Estados Unidos, a jornalista Rebecca Seales fez a reportagem Eleições nos EUA: como Trump mudou o mundo para a BBC. Ela descreve como o atual presidente mudou os rumos do planeta.

(Foto: BBC)


Embora a eleição aconteça oficialmente no dia 3 de novembro, muitos eleitores já foram às urnas ou votaram pelos correios, batendo recorde de número na votação antecipadamente, de acordo com o G1. Além disso, especialistas preveem que essa será a maior eleição presidencial da história. Mas o que isso significa? Talvez seja o medo de uma reeleição de Trump, uma vez que o presidente mudou não só o rumo do próprio país, mas também de todo o mundo.


Na reportagem da BBC, há uma divisão por blocos descrevendo algumas medidas que o presidente tomou ao longo de seu mandato que mudaram o mundo de forma significativa. A jornalista já começa o texto com este trecho: “O presidente dos Estados Unidos não é apenas o líder do país, ele é provavelmente a pessoa mais poderosa do mundo. Suas decisões mudam a vida de todos. E Donald Trump não é exceção”. Já dá para sentir o peso que a eleição presidencial de 2020 tem, sem falar que ela ocorre no meio de uma pandemia. Soma-se ainda o nível de poder que um presidente estadunidense adquire quando eleito.


O primeiro bloco é sobre como os Estados Unidos são vistos no exterior. A jornalista nos mostra dados de como a popularidade do país caiu em território europeu. De acordo com a reportagem, o nível de visão positiva é o mais baixo em 20 anos. Já o segundo bloco é sobre os acordos climáticos que Trump deixou de participar. O país, que só perde para a China nas emissões de gases de efeito estufa, não faz parte do acordo climático de Paris desde o início do mandato de Donald. A saída do acordo acontecerá formalmente no dia 4 de novembro deste ano, entretanto Biden afirmou que se for eleito, os Estados Unidos entrarão novamente.


(Postagem do Greenpeace USA)


O terceiro tópico tem um título interessante: “Fronteiras fechadas — para alguns”. Não é nenhum segredo que o então candidato à presidência em 2016 tinha como proposta a construção de um muro que separaria o México dos Estados Unidos. Isso já dava um spoiler dos próximos capítulos da saga de imigração da nação norte-americana. A jornalista mostra que Trump estabeleceu o fechamento de fronteiras para sete países de maioria muçulmana. E o programa de refugiados, que recebeu 85 mil em 2016, receberá apenas 15 mil refugiados, o menor número desde a criação do programa. Além disso, não é citado no texto, mas diversas prisões e separações de famílias que tentavam chegar ilegalmente ao país para residir lá bateram recorde e chocaram o mundo.

Após esses blocos, ela fala de um legado que afetou o mundo da comunicação: a ascensão do termo “fake news”. Na reportagem, há uma citação em que Trump se vangloria por ter criado a expressão . Ele não criou, mas popularizou o termo. Sim, isso mesmo que você leu, uma fake news sobre as fake news. Aliás, num vídeo da BBC, há uma análise de como o presidente inseriu esse termo no mainstream. No vídeo, pessoas falam que essa postura do presidente fez as pessoas a serem contra a imprensa e o papel social dos jornalistas na defesa da democracia. De fato, a imprensa é cada vez mais agredida e vista de maneira duvidosa. Um dos exemplos no Brasil, foi o caso “Guardiões do Crivella”, no qual o prefeito do Rio utilizou verba pública para pagar funcionários com a função de atacar os jornalistas.


Além desses blocos, a matéria nos mostra mais impactos do legado Trump no globo. As “guerras sem fim” no Oriente Médio, acordos comerciais que regrediram, como o NAFTA, e o abandono do acordo Trans-Pacífico, os conflitos com a China são alguns dos assuntos citados pela reportagem. Na questão EUA X China, por exemplo, ela cita um caso que gerou comoção nas redes sociais que foi a proibição dos aplicativos TikTok, bastante popular atualmente, e WeChat, além de impor sanções à empresa de telecomunicações Huaweii. Mas, nesse assunto, parece que Joe Biden flerta com o pensamento do atual presidente em relação ao território asiático.


Desde o fim da Guerra Fria, quando o capitalismo ascendeu, os Estados Unidos têm uma influência enorme a nível global, principalmente no Ocidente. Rebecca acertou em cheio ao escrever a matéria da maneira que fez. Ela separou por blocos os impactos que Donald Trump gerou durante seu mandato. Por meio disso, ela mostra os dados e as informações coletadas referentes aos assuntos tratados, tornando a leitura leve e mais fluída. A linguagem também é de fácil entendimento mesmo sendo uma reportagem traduzida. A única coisa que faz falta é o uso de hiperlinks. Em algumas partes, Seales coloca pesquisas feitas e não nos mostra onde podemos encontrar esses dados. É claro que podemos “dar um Google”, mas facilitaria muito mais se houvesse os links, além de, claro, deixar a matéria muito mais rica.


Eleições nos EUA: como Trump mudou o mundo também é muito boa para quem se interessa em geopolítica, já que ela explica o impacto das ações de Donald Trump durante esses anos na Casa Branca. Ela é ótima para os futuros jornalistas que pensam em trabalhar na editoria internacional. Vale a pena a leitura desse texto perto da eleição que mudará nossas vidas.


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