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Jornalistas na linha de frente cobrem 13 horas de atividade na UTI de hospital da Zona Sul do Rio

João Maurício Maturana


A pandemia mudou tudo, menos o amor pela profissão. Se antes da COVID-19 os jornalistas já corriam riscos realizando seus trabalhos, agora os profissionais da área ainda contam com a pressão da maior crise sanitária do século sobre seus ombros, e mesmo assim vão para as ruas. No caso da reportagem feita pelo GLOBO, para o hospital CopaStar, em Copacabana, Rio de Janeiro, para cobrir a rotina dos profissionais da saúde na luta contra o novo coronavírus.


Notícias do front: como é a batalha dentro de uma UTI para salvar pacientes de Covid-19, reportagem produzida por Maiá Menezes e pela fotógrafa Márcia Foletto, mostra a rotina do 5º andar de um hospital particular na Zona Sul do Rio, em que são tratados 31 pacientes com coronavírus. Além de descrever a rotina dos médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares do hospital, a reportagem procura entender como esses profissionais se sentem, ao se colocarem em perigo todos os dias e tendo toda a sua rotina modificada. Contando, ainda, com um ensaio de fotos delicado e intimista sobre a frenética realidade do hospital.


Ao longo do texto, é descrito o processo de higienização e cuidados que os profissionais precisam ter ao entrar na unidade - e também ao voltar para casa. Procedimentos que a repórter e a fotógrafa da matéria também tiveram de realizar para poder acompanhar a rotina na linha de frente da batalha contra o coronavírus.

(O ritual para o uso eficiente dos equipamentos de proteção individual é minucioso Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo)


Mesmo a cobertura sendo realizada em um hospital particular, a matéria ainda ressalta a potencial catástrofe que a rede pública também deve estar enfrentando, principalmente por meio da fala de Fábio G. Miranda, diretor da Unidade de Tratamento Intensivo Coronavírus do CopaStar, e que também atua na UTI do Instituto Estadual do Cérebro, Se estamos atingindo o pico aqui, na classe média alta, em uma ou duas semanas isso se replica na saúde pública. No Hospital do Cérebro, há pacientes na porta, com risco de morte. Nunca vi nada assim. Me sinto impotente e extremamente triste”.


A reportagem também preza por mostrar a esperança e certo otimismo que os profissionais mais resilientes ainda conseguem expressar, mesmo em tempos tão difíceis. Piadas, pequenas celebrações e gestos de carinho ainda são presentes na instalação, como mostrado pelo abraço entre uma enfermeira e uma técnica que se compadecem com a dor uma da outra, capturado com afinco pela fotógrafa da matéria.

(Uma enfermeira e uma técnica se abraçando. Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo)


Os profissionais ainda têm que aguentar ver alguns de seus próprios colegas internados. Márcio Ananias, de 53 anos, médico intensivista que ficou internado após uma tomografia, relatou não conseguir se levantar por duas semanas. José Everardo Torres, de 69 anos, intensivista no Hospital dos Servidores, afirmou, enquanto internado, sentir saudades dos netos e de estar no olho do furacão, onde sempre esteve. O relato dos profissionais internados acentua a dor que os pacientes da COVID-19 sentem, ao mostrar os diferentes sintomas que Márcio e José tiveram, além da preocupação com a sociedade demonstrada por eles e a saudade de estar com a família e poder ajudar outros na linha de frente.

(José Everardo Torres se tratando do coronavírus Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo)


A matéria é uma aula sobre o papel do jornalista, tanto pela coragem da equipe de literalmente arriscar sua vida pela reportagem, quanto pela profundidade e beleza com que o texto é escrito e ilustrado pelas excelentes fotografias, que conseguem capturar perfeitamente a emoção e realidade da situação. Maiá Menezes e Márcia Foletto, para entender essa outra realidade, permaneceram por 13 horas no hospital, respeitando todos os procedimentos necessários, além de utilizarem máscaras e equipamentos especiais, e prestarem os cuidados necessários ao sair da unidade, como banhos de uma hora e quarentena de 14 dias.


Para entrevistar os pacientes com coronavírus, a equipe precisou colocar equipamentos de segurança adicionais, e manter uma distância de quatro metros dos entrevistados. Ao ilustrar pessoalmente a dificuldade que médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares passam nesse momento, a reportagem se transforma em uma verdadeira homenagem aos profissionais da saúde, e uma precisa documentação da situação proporcionada pelo novo coronavírus. Não à toa foi eleita como a melhor reportagem feita durante a pandemia até então, pelos editores do GLOBO.


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