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Transição nas revistas de moda: do papel à tela

Júlia Muniz



No século XVII, mais precisamente em 1678, foi criada a primeira revista de moda na França, por Jean Donneau de Visé. Com o passar dos séculos, as revistas de moda têm tido um papel de grande destaque na vida das pessoas. Através delas, é possível entender o cenário fashion, encontrar colunas com quizes e dicas de beleza, capas que servem de inspiração e circulam de mão em mão. Protagonizam sonhos, padrões, novidades, revoluções e têm a capacidade de validar as tendências e estilistas. Alguns as colecionam. A qualidade do papel e das capas são considerados indicadores de sua credibilidade e relevância. E, durante muito tempo, este era todo o acesso ao universo da moda e estilo.


(Imagem da primeira revista de moda)


Porém, apesar da função se manter um tanto quanto inalterada, atualmente a relação estabelecida entre a revista e seu público não é mais baseada unicamente na sensação de folhear as páginas, fazer recortes e colagens, colar pôsteres nas paredes, e tudo que a materialidade da publicação possibilita. O formato vem sendo substituído por outro: as telas de computadores e celulares.


(Recortes de revistas impressas)


A transição dos meios de circulação das revistas manteve o caráter jornalístico misturado ao entretenimento, mas alterou a profundidade de alguns conteúdos. A sintetização das informações é uma das principais mudanças percebidas na era do imediatismo, ainda que algumas matérias se estendam à semelhança das revistas impressas. Estrategicamente, muitos conteúdos foram comprimidos a fim de captar a atenção do público, graças ao hipertexto.


Com a expansão das mídias sociais, outros espaços foram ocupados pelos temas abordados nas revistas de moda, além do formato digital assumido por algumas de maior destaque, como a Vogue e a Elle. Os perfis no Instagram, por exemplo, servem como vitrines dessas publicações, com um destaque ainda maior para a importância das imagens veiculadas, que servem de isca para que o leitor busque o conteúdo integral da revista ou mesmo para satisfazer àqueles adeptos ao Skimming – ato de “passar o olho”, apreendendo apenas o necessário. Há ainda outras plataformas relevantes, voltadas quase exclusivamente à circulação de imagens, como o Pinterest, muito utilizado em referências de moda, estilo e tendências.


(Capa da revista impressa da Vogue)


(Divulgação do formato digital da revista ELLE)


Mesmo com todas as transformações ocorridas no que diz respeito às publicações de moda, as revistas são um clássico e desempenham um papel importante no cenário atual. É como no universo da música: os vinis possuem seu valor e relevância, ainda que existam aplicativos com milhares de músicas, como o Spotify ou o Deezer.


(Exemplo de lançamento recente de um disco de vinil)


As revistas de moda, com páginas de papel, palavras e imagens impressas com tinta, ainda se fazem presentes, mesmo que a relação com o público tenha mudado. Já dizia Giorgio Armani: “Elegância não é destacares-te, mas seres lembrado”.



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