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“Pânico” e até onde um jornalista deve se arriscar por uma boa reportagem

Beatriz de Andrade Costa


Em 1996 estreou o filme Pânico, dirigido por Wes Craven, um grande sucesso de bilheteria que arrecadou mais de 170 milhões de dólares e marcou a história do cinema. A obra de terror slasher apresentou um roteiro que, além de satirizar os clichês, também trazia cenas assustadoras e um mistério muito interessante. Essa nova fórmula escrita por Kevin Williamson foi capaz de revitalizar o gênero, saturado após o lançamento de clássicos como Halloween, Sexta-Feira 13 e O Massacre da Serra Elétrica.

A história de horror acontece em Woodsboro, cidade da Califórnia, e se inicia quando um casal de adolescentes é assassinado de forma brutal. No dia seguinte, a polícia começa a interrogar os alunos que estudavam com as vítimas. Sidney Prescott (Neve Campbell), a protagonista, e seu grupo de amigos são apresentados ao público. Junto às investigações, os adolescentes também precisam lidar com diversos jornalistas que estão cobrindo o caso. Dentre eles a repórter Gale Weathers (Courteney Cox), disposta a conquistar seu furo de reportagem a qualquer custo.

Após a aula, Sidney se depara com as notícias sobre o caso sendo transmitidas em diferentes canais de televisão. Um dos trechos é do programa de Gale, em que ela relembra um crime similar ocorrido há cerca de um ano na mesma cidade: o assassinato da mãe de Sidney. Abalada com a lembrança, a protagonista busca descansar, mas naquela noite ela é atacada pelo serial killer, apelidado de Ghostface.

A jovem consegue pedir ajuda às autoridades. Enquanto está escondida em seu quarto, seu namorado, Billy (Skeet Ulrich), aparece em sua janela de surpresa. Desconfiada, ela o denuncia para os policiais como o possível criminoso e é levada para prestar queixa. Logo a repórter Gale aparece na casa de Sidney, em busca de informações sobre o caso. Ao não conseguir nenhuma entrevista, ela vai para a delegacia para encontrar novas fontes, mas o local já está lotado de jornalistas que estão sendo proibidos de entrar.

Para evitar o assédio da mídia, o policial Dewey (David Arquette) retira Sidney do local por meio de uma saída alternativa. Gale os vê e tenta entrevistá-la de forma invasiva, mas a jovem não reage bem e acaba agredindo a repórter. No dia seguinte, elas se encontram novamente e conversam sobre o assassinato da Sra. Prescott, pelo qual Cotton Weary foi acusado e condenado. Gale, que escreve um livro sobre o caso, acredita que essa condenação é um erro e que o atual serial killer está ligado ao primeiro crime.

Após essa conversa, a jornalista nota certa insegurança em Sidney sobre sua acusação e diz: “Um homem inocente no corredor da morte, o assassino continua à solta… me diz que eu tô sonhando.” Ela percebe que se desvendar o caso poderá salvar a vida de Cotton, trazer credibilidade para o seu livro e alavancar ainda mais sua carreira. O que torna a personagem ainda mais motivada a descobrir a verdade. Uma das consequências disso é a aproximação entre Gale e Dewey, que possui informações privilegiadas sobre os crimes.

Devido aos novos ataques de Gosthface, a prefeitura determina um toque de recolher suspendendo as aulas, e os adolescentes aproveitam para fazer uma festa. Gale descobre o evento e vai em segredo junto com seu cinegrafista na tentativa de registrar algo inédito sobre o caso. Durante a festa, Dewey, que estava vigiando os jovens, convida a repórter para entrar. Ela aproveita a oportunidade para inserir uma câmera escondida na sala. Em seguida, a jornalista acompanha o policial que foi chamado para verificar um carro abandonado próximo ao local. Eles descobrem que o veículo está conectado ao caso e que um dos maiores suspeitos pode estar na casa em que acontece a festa.

Nesse ponto da história é interessante analisar a posição em que a jornalista se coloca: ela prioriza conseguir material para uma boa reportagem em detrimento da sua segurança e da de sua equipe. Mesmo com o assassino ainda em liberdade e com um dos maiores suspeitos presente no evento, isso não é suficiente para amedrontar Gale ou fazê-la parar sua busca pela verdade. Além de ser destemida e inconsequente, ela também está disposta a ter atitudes antiéticas desde que isso lhe dê boas informações sobre o crime. Uma boa matéria é construída com as melhores fontes, mas será que essa jornalista deveria colocar sua vida e seus princípios em risco para conquistá-las?

O serial killer consegue invadir a festa e atacar vários personagens, dentre eles a repórter e seu cinegrafista. No fim, Gale sobrevive e descobre toda a verdade sobre o caso de Ghostface e do assassinato da mãe de Sidney. Mesmo após uma madrugada muito assustadora e traumática, ela ainda tem como prioridade contar ao público tudo que ocorreu. Dessa forma, logo pela manhã, ainda ferida, ela liga sua câmera e inicia a gravação de uma reportagem exclusiva sobre o crime.

Gale Weathers é uma personagem muito interessante. Ela flutua entre ser uma repórter fria, sensacionalista e invasiva para uma profissional muito dedicada, inteligente e que tem um grande compromisso em contar a verdade acima de tudo. Pânico é um filme de terror muito marcante que além de uma história divertida e assustadora, também traz uma interessante reflexão sobre até onde um jornalista deve se arriscar para conseguir um furo de reportagem.



Serviço: Globoplay e Paramount+

Filme: Pânico

Diretores: Wes Craven

Duração: 1h e 51min

Onde ver: https://globoplay.globo.com/panico/t/wHqMhbZ7G6/


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