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O que representa a saída de Casagrande da Globo

João Frederico Mogetti


Imagem: Reprodução/Fundação Schimdt


Após 24 anos de parceria, chegou ao fim, no dia 6 de julho, o ciclo de Walter Casagrande na TV Globo. A saída do colunista motivou muitos questionamentos sobre os motivos da mudança e o momento do jornalismo atual.


Para entender a mudança de rumos de Casagrande, é necessário ter noção do contexto no qual ela aconteceu e de quem é o agora colunista do UOL. Em tempos de redes sociais punitivas e eleições que aumentam tensões já existentes, Casagrande sofreu pressões por tentar fazer o que sempre fez desde os tempos de atleta: falar. E não só sobre esporte. Eram recorrentes, em suas análises, menções ao momento político e social do Brasil e como a crise que o país enfrenta impacta a prática futebolística, assim como críticas ao presidente Jair Bolsonaro.


Essa expressão de opinião, no entanto, esbarra em uma pauta jornalística por vezes engessada, preocupada com o engajamento das mídias digitais e com uma falsa premissa de que duas áreas não se misturam. Dessa forma, o ex-jogador foi vítima do repetido discurso “política e futebol não se misturam”.


É importante, primeiramente, destacar a independência das empresas como algo positivo. Cada uma possui autonomia para definir seus conteúdos, a forma como eles são passados e quem se adequa ou não a esses parâmetros, de acordo com sua linha editorial. Essa liberdade e permissividade para diferentes olhares e filtros é fundamental para o jornalismo bem executado.


Mas, por outro lado, Casagrande tem em sua essência o ativismo. Um dos protagonistas de um dos movimentos políticos mais expressivos envolvendo o esporte, a “Democracia Corintiana” e fã assumido de um dos gêneros musicais mais politizados, o rock, o comentarista passou toda sua juventude sendo formado para contrapor, falar e expressar suas opiniões. Tal postura, certamente, não combina com um jornalismo mais “chapa branca”, como o próprio jogador, em entrevista ao “Domingo Espetacular”, falou:


“Foi um alívio para os dois lados porque eu tenho certeza que eles não estavam mais gostando do meu modo, do meu perfil, assim como eu não estava gostando das mudanças que aconteceram lá. Estávamos empurrando com a barriga e ninguém satisfeito, ninguém feliz”

Casagrande agora é colunista do UOL e sua escolha de carreira mostra muito o atual cenário do jornalismo esportivo no Brasil. Acontecimentos como a saída do Casão da maior rede de comunicação nacional significam menos visibilidade para um dos comentaristas mais autênticos da atualidade.


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