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Medal of Honor e as guerras contemporâneas

Atualizado: 22 de out. de 2021

José Meirinho

Hoje em dia já se sabe que não são apenas os livros que contam ou narram as histórias. Mídias sociais, podcasts e jogos eletrônicos cumprem a função de passar as informações de maneira mais clara, objetiva e interativa para todas as faixas etárias. Discorrendo sobre um mais recente, temos os chamados newsgames, jogos eletrônicos baseados em acontecimentos reais sob um olhar midiático. Um jogo que está muito entrelaçado com os newsgames e é uma das franquias de games mais populares é o jogo chamado Medal of Honor (medalha de honra, traduzindo para o português).

A franquia

Medal of Honor é um jogo de tiro em primeira pessoa que se passa em períodos históricos ou em acontecimentos mais recentes. A ideia do primeiro jogo foi inspirada no filme O resgate do soldado Ryan, produzido pelo diretor Steven Spielberg, o mesmo que, junto a EA Games e a DreamWorks, iria produzir o primeiro título. Após o grande sucesso, foram feitas diversas sequências ao longo de mais de 20 anos utilizando pesquisas históricas e coberturas jornalísticas, resultando em uma das maiores franquias de tiro na história dos games

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Medal of Honor (2010) e Medal of Honor: Warfighter (2012)

Trazendo para o foco da matéria, Medal of Honor: Warfigther tem sua trama em volta de guerras contra os grupos extremistas do Oriente Médio e de piratas da Somália, passando por desdobramentos em países como Bósnia e Filipinas. Já o reboot (em definição: uma nova versão de uma obra de ficção) que intitula a série de jogos, tem sua história voltada à operação estadunidense, Anaconda. Essa ação aconteceu no início da guerra do Afeganistão e foi a maior operação de combate dos EUA em solo contra os grupos da Al-Qaeda e do Talibã.

Apesar dos enredos históricos, os jogos não ficaram devendo nos quesitos gráficos e de jogabilidade. Enquanto Warfighter foi bem recebido pela crítica e comunidade gamer da época por seu detalhamento e ambientação, Medal of Honor de 2010 apresentou um bom multiplayer, além de movimentos muito realistas por parte dos personagens.

(Medal of Honor (2010) representando os possíveis grupos paramilitares.)

A participação jornalística

Ambos os jogos retratam a intervenção americana no mundo, além de se basearem na visão histórica e midiática do Ocidente. A pirataria retratada em Warfigther, embasou-se em grande parte nas matérias feitas pela BBC, já que era o principal veículo de comunicação que abordava esse tema na década de 2000. Categorias, vestimentas e armamento foram alguns tópicos os quais vieram a ser utilizados pelo game.

Acerca do Medal of Honor de 2010, houve uma grande participação da própria CNN, canal jornalístico que fez grande cobertura na guerra do Afeganistão, proporcionada pela boa relação com o governo e o serviço de inteligência da época. A imagem do poderio dos grupos extremistas transmitidas pela CNN, ou por qualquer outra mídia na época, foi extremamente relevante para se ter a compreensão do problema mundial. Isso tudo serviu de base para o jogo retratar o Talibã e alertar que a guerra ainda não fora vencida.

Além do mais, novamente em Medal of Honor: Warfighter, temos outro exemplo da contribuição/uso jornalística(o). A atualização do game permitiu aos jogadores terem acesso a dois mapas baseados na caçada de Osama Bin Laden, capturado e morto pelos EUA no Paquistão em maio de 2011. Vale ressaltar que isso foi resultado da cobertura midiática e das investigações as quais foram feitas após a morte do fundador e ex-líder da Al-Qaeda.

Portanto, esses dois jogos conseguiram passar informações jornalísticas de um modo mais interativo, utilizando-se de meios seguros e confiáveis para transmitir conhecimento dos fatos. Impressiona a representação deste último acontecimento relatado em um pouco mais de 1 ano do episódio histórico. Imaginemos agora se tivéssemos outras grandes franquias como essa, isso fomentaria e ajudaria muito as mídias, além, é claro, da sociedade.


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