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Cahê Mota conta a sua trajetória e fala sobre as adversidades na carreira de um jornalista esportivo

Júlia Araújo


Os estudantes Lucas Loyo e Wagner Fernando, da Escola de Comunicação da UFRJ, entrevistaram na segunda-feira (24/1) o jornalista Cahê Mota. Formado pelo Centro Universitário Fluminense (UNIFLU), em Campos dos Goytacazes, sua cidade natal, Cahê se mudou para o Rio de Janeiro em 2008 para fazer parte da equipe do Globo Esporte, onde trabalha até hoje, atualmente como setorista do Flamengo. O profissional cobriu grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo de 2014, Olimpíadas e Paralimpíadas, Mundial de Clubes, UEFA Champions League e Libertadores da América.




Questionado sobre quem é sua maior inspiração no jornalismo, Cahê disse que vem de uma família de jornalistas, mas que não tem uma inspiração específica. Disse que foi aprendendo com muitos profissionais, principalmente com aqueles com quem trabalhou, e destacou como exemplos os jornalistas Janir Júnior (seu atual chefe), Eduardo Peixoto, Eric Faria e Marcos Uchôa, entre outros.


Cahê contou que sempre foi apaixonado por futebol e por esportes em geral. “Sempre tem o sonho de querer estar do lado de lá, de querer ser atleta, de querer ser jogador”, lembrou o jornalista, que chegou a jogar futebol na base do Americano Futebol Clube, time de Campos dos Goytacazes, além de ter feito natação e futsal. Mas nunca teve a obstinação necessária para virar atleta e isso o faz valorizar ainda mais os atletas com quem ele se relaciona. Cahê chegou a pensar em cursar educação física, mas que não queria estar vinculado ao esporte para ser técnico ou dar aulas em academias ou colégios, queria mesmo era estar próximo do esporte de alto rendimento e das grandes competições, e viu o jornalismo como um caminho para alcançar esse objetivo.


Segundo o jornalista, a faculdade foi essencial para lhe apresentar conceitos éticos e morais da profissão. Diz, porém, que aprendeu mais na prática de rua do que nos quatro anos de faculdade. O primeiro estágio apareceu só no último período da faculdade:

“Surgiu uma oportunidade que, por mais que parecesse roubada no início, foi ótima. Eu e mais um amigo assumimos praticamente a editoria de esportes de um jornal que era super tradicional lá na cidade, mas que já estava em processo de falência. Isso acabou dando pra gente uma liberdade editorial muito importante para que a gente se desenvolvesse.


“Eu pego textos daquela época e penso 'putz que coisa horrorosa’, mas foi aquilo que me fez desenvolver a capacidade que eu tive depois , isso que me preparou muito para quando, já três anos depois, eu tive a oportunidade de vir aqui pro Rio, vir pro Globo Esporte, ai sim em um processo seletivo e tudo mais [...] eu já tinha essa casca assim cara, porque então, fazer um texto, fazer uma entrevista, fazer uma apuração, criar relações, já não era mais novidade pra mim[...]”.



Perguntado sobre o auge de sua carreira, Cahê disse que não relaciona o sucesso com alguma informação ou um furo. Lembrou que, em 2009, deu em primeira mão, junto com o jornalista Eduardo Peixoto, a informação da volta do jogador Adriano para o Flamengo. Na época, foi uma “bomba”, mas questiona até que ponto isso é relevante hoje e afirma que ninguém quer saber atualmente quem deu aquela notícia. Disse que não é em cima de um furo ou outro que se constrói uma carreira de sucesso, e sim em cima de um trabalho consistente ao longo dos anos.


Cahê falou do seu livro, “Momentos decisivos: como aliar os seus propósitos e valores para vencer os desafios que o levarão ao sucesso”, lançado em 2021. Ele disse que um novo livro está a caminho, sobre um personagem importante ligado ao esporte, mas não revelou mais detalhes. O livro deverá ser lançado no primeiro semestre de 2022.


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