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A Crônica Francesa: relatos afetuosos sobre como fazer jornalismo

Geovanna Braga


(foto:Ingresso.com)


O filme, A Crônica Francesa dirigido pelo cineasta Wes Anderson, se pauta em um conjunto de quatro histórias presentes na última edição da “The French Dispatch Magazine”, uma revista americana publicada em uma cidade fictícia francesa do século XX. Essa última edição ocorre após a morte de seu editor-chefe, que deseja em seu testamento o fim do jornal. Trazendo elenco de renome como os experientes Timothée Chalamet, Tilda Swinton e Bill Murray, o longa revela-se uma carta de amor ao jornalismo. A crônica francesa já saiu de cartaz nos cinemas e deve estrear em breve nos serviços de streaming subsidiários da The Walt Disney Company, como Disney+ e Star+.

O filme inicia contando a morte de Arthur Howitzer Jr., fundador e editor do jornal The French Dispatch, do grupo Liberty Kansas Evening Sun, que reuniu um bom, e peculiar, grupo de jornalistas em sua equipe. Sua morte é o elemento motriz para o desenrolar da trama, uma vez que, além do seu obituário, a última edição conta com quatro das melhores e mais peculiares reportagens já apresentadas nas edições do The French Dispatch. Elas são responsáveis por mostrar diferentes expressões da linguagem jornalística durante os 147 minutos de filme.


(foto: playtusu.com)


A primeira história apresentada é a do “jornalista da bicicleta”, Herbsaint Sazerac, que transita pelos piores lugares da cidade, onde se passa o filme, o que serve de inspiração para suas matérias. A segunda traz uma jornalista de arte contando a vida de um detento, psicopata e artista, que vive um romance com uma das guardas da prisão. Ela se torna a musa inspiradora para sua arte, que passa a ser vendida a alto preço por um negociador que enxerga o talento do presidiário. Na terceira história o espectador fica a par de uma trama política. A jornalista responsável por essa seção, Lucinda, investiga um jovem líder de um movimento estudantil, o qual foi inspirado nos movimentos políticos franceses de maio de 1968. As crônicas são finalizadas com a história de um jornalista especializado em gastronomia e um caso que interliga um cozinheiro do chefe de polícia da cidade e um sequestro.


Quando se diz que o filme é uma “carta de amor”, um dos motivos é a metalinguagem presente na obra. A direção e os belíssimos cenários e fotografia são responsáveis por fazer com que os espectadores se sintam dentro da redação, fazendo parte da produção de notícias. A composição simétrica constante no filme, o estilo e os tons singulares de cada crônica simulam uma revista, e o espectador se sente como estivesse folheando uma publicação e lendo seções diferentes da mesma.


A representação da “morte da revista” ainda demonstra a transição do modo de fazer jornal de um jeito cada vez menos artesanal para um cada vez mais industrial - e que continuou se transformando de modo profundo no final do século XX, numa série de mudanças ainda em andamento. Mesmo assim não deixa de ser uma carta amorosa aos próprios jornalistas, constando que cada qual possui a sua própria singularidade, ambição e amor pela profissão.


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