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A “caça às bruxas” na Europa medieval levou à morte milhares de pessoas

Milene Gabriela


As histórias das supostas bruxas da Idade Média que foram torturadas e queimadas ainda hoje chocam qualquer um. No entanto, não é qualquer pessoa que decide ir a fundo no assunto ou buscar justiça por essas mulheres . A reportagem da BBC World News Minha antepassada foi queimada como bruxa, mas limpei seu nome 350 anos depois, traz a história de uma delas e explica como esse assunto é tratado atualmente na Europa.


(Imagem / Reprodução: BBC)


Pablo Uchoa, autor da reportagem, é um jornalista brasileiro, ex-correspondente nos Estados Unidos, mestre em política latino-americana e duas vezes indicado para o Prêmio Vladimir Herzog. Ele decidiu se aventurar em escrever sobre um tema que não é muito popular no Brasil, a partir de uma entrevista com o policial aposentado e genealogista amador, Bernd Krammer, que descobriu que sua esposa, Ulla, era parente de uma bruxa enquanto pesquisava sua árvore genealógica.

(Imagem Bernd e Ulla: BBC)


Margarete Krevetsiek é o nome da mulher em questão. No século XVII, marcado mundo afora pela caça às bruxas, ela foi acusada de bruxaria pelo seu enteado de 6 anos, após puni-lo com uma “surra”. Nesse período sombrio da história, sabemos que muitas injustiças aconteceram durante esses anos. Estima-se que 40 a 60 mil pessoas foram condenadas à morte na Europa, o foco da caça às bruxas. Vítimas de acusação de bruxaria eram torturadas e assassinadas, mesmo sendo inocentes. Embora muitos homens também tenham sido julgados e executados, a grande maioria eram mulheres.


(Imagem Bernd e Ulla: BBC)


Bernd e Ulla, acreditavam que Margarete merecia justiça independente de quanto tempo tivesse passado, especialmente quando a injustiça foi cometida pelo Estado ou pela Igreja, devendo, portanto, ser corrigida. Assim, séculos depois, em 2012, eles fizeram um requerimento formal ao conselho municipal pedindo que ela fosse inocentada e cinco anos depois, o nome de todas as vítimas dos julgamentos de bruxaria na cidade foram reabilitados.


O ponto forte da reportagem é tratar de um assunto não muito popular no Brasil, e pouco discutido no jornalismo, apesar de importante. Não há necessidade do leitor se aprofundar no tema previamente para entender o que está sendo mencionado, a matéria em si já traz todas informações necessárias, trazendo mais comoção ao público com os personagens da história, além das descrições do autor que contam acontecimentos que só quem esteve lá poderia saber. Embora a figura de Margarete, que deveria ser central, tenha sido ausente no texto, há apenas um pequeno relato no início. O repórter deixa a desejar nesse aspecto, tendo em vista que dedica espaço excessivo para outras histórias, abrindo mais questionamentos sobre o que, de fato, aconteceu com Margarete.


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