Buscar
  • Pitacos

Ética para todos

Mariana Reduzino


Quando falamos de jornalismo, uma das primeiras coisas que nos vem à cabeça, certamente é a Ética. A obra de Rogério Christofoletti, Ética no Jornalismo, vai esclarecer suposições que são criadas pelas pessoas sobre a profissão do repórter e desfazer alguns mitos.

(Capa do Livro/Foto: Reprodução)


O autor começa o livro questionando ao seu leitor por que a ética é tão importante para o jornalismo? A resposta pode parecer simples e óbvia, mas não é. A ética, assim como em outros campos do conhecimento, se tornou um tema altamente discutido no âmbito jornalístico, pois dela vem aquilo que somos não só como profissionais, mas também como cidadãos.


Ao longo do livro, Christofoletti discorre sobre alguns mitos como cada um tem sua ética”, “ética é uma coisa abstrata”, “ética é um assunto acadêmico”, “a ética é uma coisa só” e “ética se aprende na escola”. Apoiando-se nessas falsas ideias, o autor nos convida a refletir sobre a prática jornalística moderna e mostra ao leitor que ilusões e mentiras não combinam com o jornalismo, pois os consumidores de seu produto, que é a informação, estão buscando veículos que têm compromisso com a verdade e tenham credibilidade. É importante destacar que, se há um acordo de confiança entre emissor e receptor, certamente há sustentabilidade para o jornalismo. “Para um jornalista, abandonar o compromisso com a verdade não é um deslize, é uma falha ética grave”, disse Rogério Christofoletti.


Há, ainda, capítulos com orientações práticas ligadas aos entrevistados e entrevista, abordagens sobre questões éticas nas coberturas sobre política, cultura, violência, economia e esportes. Pelo ponto de vista do autor, o jornalismo está diretamente subordinado às leis, e tem como alicerce um conjunto de regras, não necessariamente escritas, que norteiam os repórteres para que eles não cometam injustiças, excessos e as famosas gafes. Apesar disso, vale ressaltar que ética não é importante somente para os jornalistas, mas para todos os profissionais, por isso o autor destaca na sua obra que os códigos de conduta devem ser adotados não somente pelos profissionais, mas também pela sociedade como um todo.


No livro, Rogério menciona como a tecnologia foi aprimorada para o jornalismo e como essa evolução transformou de maneira absurda o relacionamento com as pessoas. Essa mudança proporcionou agilidade no envio e recebimento de informações e agora o leitor tem muito mais facilidade de saber do que acontece no decorrer do dia, não havendo mais a necessidade de esperar até o próximo amanhecer pelas notícias do jornal impresso. A internet trouxe praticidade, mas também trouxe a possibilidade de corrupção na credibilidade dos veículos. Ao falar disso, chegamos às famosas “Fake News”, ou seja, as notícias falsas. Esse tipo de informação enganosa circula facilmente na internet nos dias de hoje pois há a constante busca por visualizações. Logo, as manchetes precisam ser atraentes para os leitores, porém a veracidade dos fatos, que é um dos pilares mais importantes do jornalismo, em alguns casos é esquecida.


Nas considerações finais o autor incentiva o raciocínio sobre os princípios e valores morais na conduta dos jornalistas com 10 perguntas. “Por incrível que pareça, no campo da ética, as indagações ajudam mais que as afirmações definitivas”, relatou Christifoletti. Isso quer dizer que as perguntas são mais valiosas que as próprias respostas. Os questionamentos nos ajudam a pensar mais, produzir respostas próprias e dentro de nossas mentes questioná-las. Esse é um exercício importante para jornalistas de todas as idades e tempos de carreira.


Deixo aqui um breve Spoiler das questões de Rogério Christofoletti, autor do livro “Ética no Jornalismo”.


  • “É possível fazer colunismo social sem promiscuidade com as fontes?”

  • “Até que ponto a tecnologia é uma aliada de repórteres e editores?”

  • “É certo fazer reportagens sobre determinados assuntos apenas para disputar prêmios de jornalismo?”

  • “Até onde se pode ir para conseguir a manchete do dia?”

  • “Como relatar casos de violência, discriminação, sequestros e suicídios sem contribuir para a estigmatização das pessoas envolvidas?”


Essas e muitas outras questões estão no livro. Ficou curioso? Corre lá para ler, é um livro curto, com apenas 123 páginas, mas extremamente importante para todos os jornalistas, sejam eles estudantes, “focas” (estagiários), formados ou veteranos.

16 visualizações0 comentário